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Tradução do texto: https://www.derby.ac.uk/news/2019/emptiness-meditation-improves-wellbeing-and-wisdom-more-than-mindfulness-according-to-new-study/

Novo estudo mostra que a meditação da vacuidade/emptiness melhora o bem estar e a sabedoria mais do que a prática da atenção plena.

18 de fevereiro de 2019

Psicólogos da Universidade de Derby conduziram o primeiro estudo para investigar o fenômeno budista da meditação do vazio, descobrindo que esta é mais eficaz em melhorar o bem-estar e a sabedoria do que a prática da atenção plena.

O vazio implica que, embora a realidade e os fenômenos “se sintam reais” quando percebidos pela mente humana, eles não existem no sentido intrínseco da palavra e são, na verdade, mais oníricos em termos de sua verdadeira natureza. De acordo com a teoria da qual parte a meditação do vazio, os fenômenos existem apenas de maneira relativa e algo que constitui o “eu” de um dado objeto nunca pode ser localizado no tempo ou no espaço. No entanto, em vez de implicar o “nada”, o vazio dentro do budismo é frequentemente associado à “plenitude” e à apreciação de que “a unidade contém o todo”.

Meditação do vazio x meditação da atenção plena

O estudo foi conduzido pelo Dr. William Van Gordon, professor de Psicologia na Universidade de Derby, e composta por uma equipe internacional, incluindo pesquisadores da Espanha, Tailândia, Itália e Reino Unido.

Ele comparou a meditação da vacuidade/emptiness e a meditação da atenção plena dentro do mesmo grupo de 25 participantes. A meditação da vacuidade/emptiness envolve cultivar uma forma de consciência meditativa para investigar se, dentro de um dado fenômeno (que também pode incluir o próprio meditador), existe inerentemente uma ‘individualidade’, um ‘me’ ou ‘eu’.

Em comparação com a meditação mindfulness, a meditação do vazio resultou em melhorias significativamente maiores no bem estar, na compaixão e na sabedoria espiritual, incluindo a capacidade de transcender a individualidade.

O Dr. Van Gordon disse: “Apesar de seu grande significado no budismo, até agora o vazio recebeu pouca atenção científica. Este estudo mostra que pesquisar a vacuidade pode não apenas dar origem a novos insights e perspectivas sobre a natureza da mente e da realidade, mas também promover o entendimento científico em termos de ajudar os seres humanos a realizarem mais sua capacidade de sabedoria e bem estar”.

De acordo com antigos textos budistas, é muito difícil para a mente humana não treinada perceber o vazio, então é necessário um treinamento especializado para cultivar uma percepção precisa da realidade. Como resultado, o estudo envolveu alguns dos meditadores budistas mais avançados do mundo, inclusive de países como Tailândia, Nepal, Japão, Sri Lanka e várias regiões do Ocidente.

Os participantes envolveram monges e monjas budistas, bem como meditadores/budistas avançados na prática. Os participantes em média tinham 52 anos de idade e eles mantiveram uma rotina de prática diária de meditação por uma média de 25 anos.

Melhorias da vacuidade

Embora os meditadores avançados já apresentassem altos níveis de bem estar e percepção espiritual no início do estudo, meditar sobre o vazio levou a uma redução adicional de 24% nas emoções negativas, 16% a mais em sentimentos compassivos, 10% a mais em emoções positivas e redução de 10% no apego a si próprios e experiências externas. Uma melhoria estatisticamente significativa também foi observada em experiências místicas, como a capacidade de perceber uma realidade última e transcender conceitos como tempo e espaço.

Vários testes foram administrados para avaliar essas mudanças e uma análise foi realizada para identificar quaisquer componentes comuns ao longo das experiências dos participantes. Os resultados mostraram que os meditadores budistas avançados experimentam o vazio como um reflexo do “tecido” subjacente da mente e da realidade. Mais especificamente, os meditadores perceberam que o que é comumente entendido como constituindo a realidade da vigília não existe de maneira tão concreta quanto as pessoas possam pensar, e na verdade exibe algumas das propriedades de um sonho compartilhado.

O Dr. Van Gordon acrescentou: “Em termos de melhorar o bem-estar, meditação do vazio parece funcionar minando o apego ou o vício à crença em um eu inerentemente existente (conhecido como ontological addiction) levando o meditador a ver que o ‘eu’ está vazio de existência inerente. Isso ajuda a remover qualquer base sobre a qual a bagagem emocional e conceitual possa se acumular.

“Investigar o vazio é importante porque, se múltiplas linhas de investigação científica confirmarem a posição budista de que o ‘eu’ e os fenômenos carecem de existência intrínseca, provavelmente será necessário reexaminar as crenças científicas relacionadas a como entender os fenômenos psicológicos e físicos. Mais especificamente, se a verdadeira natureza do que atualmente é entendido como realidade, em última análise, não tem mais substância do que um sonho compartilhado, seria necessária uma evolução de perspectiva de investigação através de múltiplos campos científicos”.

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